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07 abril, 2013

ConsCiência para o BDSM no DSM-5


    Conforme artigo publicado no noticiário Slate no dia 08 de março e no blog Live Science no dia 02 de abril, vem aí no mês de maio uma pequena mudança na quinta edição DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) e pela APA (American Psychiatric Association), de onde surgiu a necessidade de classificar doenças mentais ‘conhecidas’ desde 1840, o que certamente precisa ser revisado e está sendo, embora que ainda com muita timidez.  
   Depois da Segunda Grande Guerra foram desenvolvidas nomenclaturas para desordens mentais pelo exército americano para tratar veteranos de guerra, o que trouxe insatisfação para a classe de psiquiatras deste país que resolveu criar o CID (Classificação Internacional de Doenças) a partir de uma proposta da OMS (Organização Mundial de Saúde), que foi publicada em 1952 em sua primeira versão.   De lá para cá muitos erros de classificação tem sido observados, mas falta a ousadia necessária e também uma boa dose de coragem de admitir isto em uma norma oficial mundial.   Faltam sintomas e características comuns que possam definir doenças e propiciar um diagnóstico, fazendo com fossem influenciados por ideias de analise e psicanálise e também pela influência da sociedade.   (Pessoalmente acrescento que junto a estes laudos está o jugo da igreja, cheia de pessoas com ideias pré-concebidas e de interesses muitas vezes duvidosos, de políticos influentes e parentes mal intencionados e abastados financeiramente).
   A partir dos anos 60 a psiquiatria começou a ser questionada por diversos segmentos, a insatisfação gerada pelos modelos vigentes na época deu início a um movimento que ficou conhecido como antipsiquiatria.   Os anos passaram sob muitas controvérsias e óbvias incertezas da classificação das doenças mentais.  Os homossexuais que até 1974 faziam parte da mesma classificação da pedofilia, conseguiram sair do tal classificação do manual, sendo hoje considerados normais e não doentes mentais ou portadores de desvio de conduta sexual, tem a lei para fazer valer seus direitos desde que não se sintam perturbados por sua orientação sexual, do contrário estariam classificados no SOD como perturbados com sua orientação sexual, o que só mudou definitivamente em 1987, quando o homossexualismo foi definitivamente removido do DSM.    Agora os fetiches e o BDSM vem trilhando os mesmos caminhos, já com alguns resultados conseguidos nas últimas revisões do DSM e OMS.   Não devemos esquecer que o DSM se baseia nas convenções sociais e junto as evidências científicas.
    As vésperas de ser editado o novo manual, o BDSM; que a despeito de ter reconhecido pela OMS que sendo praticado por adultos idôneos, sem danos irreversíveis a si mesmos e a terceiros, nem o envolvimento de incapazes, como menores de idade, incapazes mentais (considero um animal como incapaz de decidir por si) e que seja consensual e não seja a única forma de obter prazer, é considerado normal, desde que conviva bem com isto (aceitável); ainda continua vigorando na mesma classificação da pedofilia (absurdo que deve ser parcialmente revisto agora em maio, embora a formulação exata do DSM-5 esteja sendo mantida em rigoroso sigilo).
   As discussões online dos pesquisadores da APA sugerem que podólatras e bondagistas não vão se ver totalmente fora deste livro.   Provavelmente as parafilias devem ganhar uma categoria própria, não sendo mais necessariamente sinais de doenças mentais, mas se este fetiche prejudicar alguém será considerado transtorno parafílico.    Esta é a forma que encontraram para dizer que uma parafilia benigna é considerada legal, segundo Ray Blanchard da universidade de Toronto  que preside os trabalhos sobre transtornos sexuais e de gênero para o DSM-5.    Entretanto ainda tem muitos psiquiatras argumentando que deixar parafilias benignas no DSM-5 é demais, que elas deveriam sair e que fixações sexuais que causam danos deveriam ser tratadas com outro diagnóstico para não estigmatizar pessoas que gostam de práticas BDSM e são inofensivas.
    Hoje as parafilias ainda são consideradas como objetos incomuns de excitação que vão desde o mundano e geralmente inofensivo, como os fetiches, até o vilipendiado, como a pedofilia.   Associação Americana de Psiquiatras sugere que o novo DSM pela primeira vez definirá claramente o termo “parafilia”, sendo as benignas consideradas como estímulos sexuais fenotipicamente normais, consentidos por parceiros humanos em idade adulta.
    O que hoje torna as parafilias marginais, é que elas vão desde indubitavelmente prejudicial a benigna.   Tendo por exemplo a podolatria e a urofilia que podem até parecer nojentas, mas dificilmente causam algum mal a quem quer que seja; até a pedofilia, entre outras, que é um crime já conhecido de todos.
   O que direi do spank?  Sei que pode parecer brutal, assustador para muitos, mas o que se diz dos pugilistas, dos lutadores de MMA?   Não tem o direito de fazer de seus corpos o que querem?   Mesmo que hajam danos, desde que não sejam irreversíveis.   Vamos considerar as lutas marciais como transtorno também?   Ou é um direito do cidadão fazer o que quer do seu corpo dentro de um limite?  Furar as orelhas de um bebe, arrebentar o rosto do oponente no ringue/ou se deixar arrebentar; ou cortar o corpo de alguém para uma intervenção cirúrgica é menos lesão corporal do que umas palmadas ou chicotadas desejadas para estímulos sexuais?  
   Para me fazer entender, explico que segundo o Vocabulário Jurídico de Plácido e Silva, a definição para lesão é: "exprimir o golpe, a ferida, dor, enfermidade causada ao ser humano"   Portanto cabe perfeitamente em todos os exemplos, a única diferença entre eles é o preconceito.

   Espero que em maio as novidades no DSM-5 não sejam tão tímidas e que sejam mais justas, afinal, definir que pessoas com interesses sexuais excêntricos não necessariamente tem distúrbios mentais parece ótimo, mas não é bem assim, pois não estamos saindo desta lista, que diz que pessoas com interesses sexuais excêntricos que não sofrem de angústia pessoal sobre seu interesse, são considerados benignos (sãos), mas se outro indivíduo com os mesmos interesses sexuais excêntricos sofrer de angústias pessoais sobre seu interesse ele então sofre de algum tipo de transtorno ou desordem sexual.
   Ora veja!  Então uma pessoa que esteja em conflito porque se descobriu homossexual e ainda não está administrando bem esta descoberta nova é uma sadia em conflito emocional temporário, mas uma com interesses fetichistas ou BDSMers com os mesmos conflitos sofre de transtorno ou desordem sexual?   Isto se aplica a alguém que sofre por não gostar de alguma parte de seu corpo, como exemplo suas orelhas de abano, ou seu nariz adunco, ou qualquer coisa que o valha?  Onde está a diferença?
     Um dos princípios fundamentais da medicina é: Primeiro, não fazer mal.  Mas o que faz a medicina a estes cidadãos em todo mundo com ‘interesses sexuais excêntrico  que se sentem marginalizados, oprimidos e envergonhados pelo estigma social em que foram lançados pela DSM, ATA, OMS e afins?   Continua fazendo parecer patológicas as sexualidades não-criminais atípicas  causando mal a estas pessoas (incluo-me).
Os homossexuais, começando pelas mulheres, começaram um movimento hoje conhecido e comemorado anualmente, o arco-íris, onde deram a cara a bater e fizeram com que fossem reconhecidos como pessoas normais, independente de sua opção sexual (entenda-se que fetiches e BDSM também é uma opção sexual).   O que é que faz os BDSMers e fetichistas tão desunidos?  Ao invés de se esconderem em comunidades desconhecidas e ficarem procurando se auto afirmar como DOM(ME) sabe tudo e é dono da verdade absoluta, deveriam se unir num propósito comum, de fazer reconhecer seus direitos, de fazer as leis criarem cláusulas que os inclua como cidadãos idôneos e possuidores dos mesmos direitos e deveres de qualquer cidadão, como aconteceu com os homossexuais, os negros e outras minorias.   Sei perfeitamente que as classes citadas ainda tem problemas, mas ao menos podem exigir seus direitos como pessoas possuidoras de sanidade e com leis que podem buscar em sua defesa.  

   Que hora vai acabar o tempo das queixas recalcadas em boca miúda e vamos levantar a bandeira do nosso próprio movimento em defesa dos nossos direitos?

Por Dorei Fobofílica.

05 abril, 2013

UM(A) DONO(A) OU SUB URGENTE, PELO AMOR DE DEUS!


Este texto fala diretamente a todos nós.
Não deixem de ler.


É complicado lidar com o desespero. Especialmente com o desespero que percebemos em algumas pessoas chegando recentemente ao BDSM, geralmente meninas candidatas a Anastácias, que precisam muito virar sub-princesas antes que a moda acabe!
Mas o fenômeno em si não é novo, mesmo muito antes do livro, me deparei não apenas no Fetlife, mas também no falecido Orkut, e nas poucas vezes que entrei nas velhas salas de chat do UOL, com pessoas em busca de caras-metades instantâneas para vivenciarem suas fantasias “BDSM”. E aí mora uma série de questões problemáticas que acho importante abordar.
Poderia começar abordando as questões atinentes à segurança, diante do despreparo oriundo da inexperiência das subs neófitas em compreender riscos de se relacionarem de modo tão intenso com desconhecidos (às vezes desconhecidos de todos nós, um pouco mais antigos no meio), e também de Tops iniciantes pisarem em chão escorregadio pelas má intenções de pessoas descompensadas, frustradas, ou até mal intencionadas mesmo.
A pressa ajuda muito as piores coisas do mundo a acontecerem com as pessoas que procuram prazer e satisfação imediatos.
Não raro sou procurado para indicar, ou apresentar pessoas, por submissas e Dominadores que estão se aproximando ou retornando ao BDSM, já de posse de uma espécie de currículum vitae (o que não é má ideia!), prontos a se candidatarem a Donos ou subs para suas práticas. Acho louvável que sejamos capazes de delinear o que somos, e traçar o perfil do que procuramos, de forma até um pouco objetiva. Mas é necessário compreender que a vida não é objetiva. E muito menos no BDSM.
Até pelo fato de que é impossível saber através dos itens listados numa conversa curta, ou num currículo de preferências e experiências, o tipo de pessoa com quem estamos lidando. Mesmo os praticantes da linha Masô, que não buscam nada muito sentimental, nem D/s, e pretendem mais um parceiro de atividades do que uma “metade da laranja”, precisam perceber que por trás de um chicote existem pessoas que podem deter TODO O TIPO DE INTENÇÕES. É sim necessário conhecer MUITO BEM com quem estamos lidando. E isso, meus caros, passa por um processo um pouco mais longo do que simplesmente trocar MSN e marcar o motel.
Evidente que este textinho (mais um) pode estar passando batido e desinteressante pra galera da velha trilha no BDSM, que já conhecem bem todos os parâmetros de risco, e tals... Mas o que não falta é gente chegando, completamente perdida.
Apesar de o BDSM não ser um covil de lobos malvados (se bem que...), certamente tem a amostragem de gente boa e ruim em proporções muito semelhantes à do meio baunilha (e isso não é pouca gente ruim não). A diferença é que no BDSM, essas pessoas tem sua vida e sua saúde nas mãos. A segurança de sua integridade física, moral e emocional (talvez até espiritual!). E isso não depende do quanto você está disposto a entregar de sua vida.
- Depois que a porta fecha, e “a luz apaga”, você só terá as certezas que construiu antes de entrar.-
É aí que cravo o facão no chão na minha afirmativa: Você terá o que mereceu. Não importa o quão maravilhoso, terrível ou trágico, você terá o que mereceu, e estará perto de quem você escolheu. Então, minha recomendação é que cada passo seja pensado com responsabilidade.
E não pensem os senhores Dominadores mega-fodões que estão livres disso. Uma submissa frágil, inocente, portadora de olhos doces e voz macia pode ser a ruína da vida de um verdadeiro Capitão Nascimento ou King Kong. Nada que meia dúzia de palavras difamatórias falsas, um B.O. de delegacia, ou uma campanha pessoal pelo fim de sua privacidade não faça tornar um desgosto. Dominador “Comedor”, que passa o rodo geral nas subzinhas pode escorregar nas intenções de alguma delas.
Agora, combinados de que o risco não tem posição hierárquica, fica minha proposta: Olhemos com responsabilidade para nossas escolhas, não apenas para que fiquemos longe de riscos, mas também para aumentar nossas chances de estarmos próximos de gente realmente compatível e interessante em todos os aspectos.
Não esqueçam que o tempo que perdemos ao lado de pessoas que não são o que procuramos não volta mais. E que muita gente bacana deixa de estar perto da gente neste período.
Mas, por último, e não menos importante, lembremos também que perfeição é coisa “bem rara”. E geralmente, pura aparência. Saber aceitar os outros como são também é uma das fórmulas da felicidade. Não adianta perfilar tudo o que queremos de alguém. É preciso que sejamos um perfil que merece aquilo que deseja.
Afinal, SEMPRE estaremos cercados de gente que merecemos. Como quer que eles sejam, é o que merecemos.
(Por DomJupiter - 04/04/2013)


Apesar de que pessoalmente eu acredito que as trilogias tem sua validade no sentido de tirarem o peso que existe no olhar da sociedade sobre os BDSMers, mas considero e sempre considerei as questões citadas no texto de Dom Jupiter fundamentais. É um texto que merece ser amplamente divulgado.  
Dorei.




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Dorei Fobofílica.