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05 fevereiro, 2013

Sadomasoquismo, dominação e submissão saindo das sombras da ignorância





   Eu poderia começar falando de BDSM, mas apesar dos BDSMers arrotarem a sigla como se fosse o suprassumo, na verdade é mais um dos aspectos do sadomasoquismo e da Dominação/submissão D/s.
   Sadomasoquismo é a relação entre tendências opostas, sadismo e masoquismo.   Não vou aqui definir o que é sadismo e masoquismo, que pode estar seccionado em indivíduos diferentes, ou alternadamente dentro do mesmo indivíduo, este ultimo chamado de switcher.
   A comunidade BDSM insiste em dizer que BDSM não está necessariamente ligada a sexo, mas o sadomasoquismo também não está.   Como já citei antes, sadomasoquismo é inerente ao ser humano, não fosse por isto ninguém acharia graça em ver alguém tropeçar e cair.   Não vou entrar na seara das religiões e o quanto elas tem de sadomasoquismo nos fies que confessam faltas em busca de penitências, já falei disto aqui.   Apenas quero trazer a luz que o sadomasoquismo sempre foi uma característica de qualquer pessoa, ainda que não esteja ligada a vida sexual.


  Entre outros grandes horrores, o holocausto e a santa inquisição espanhola fizeram com que o mundo visse o lado mais sombrio desta natureza humana, entretanto trata-se apenas de poder caindo nas mãos de um doente.   Tudo na vida tem dois aspectos, o yin/yang, a maioria das pessoas vive o sadomasoquismo no dia-a-dia sem se darem conta.   A simples hierarquia familiar, militar e social nos impõe outro aspecto do que é vivido pela comunidade BDSM, dominação e submissão, onde um está na liderança e os outros são seus liderados.



   A comunidade BDSM sempre lamentou a discriminação que sofre da sociedade, de serem marginalizados, senão como criminosos, como doentes mentais, mas agora que as trilogias com temática BDSM vem explodindo nas livrarias, ainda que não seja tão exatamente de acordo com as regras obsoletas desta comunidade e vem fazendo o favor de desmistificar o assunto na sociedade “baunilha”, a comunidade BDSM anda em cólicas, revoltada, dizendo que o que é divulgado não é real.   Mas o que é real?   Será que o termo escrava e Dono atualmente tem sentido real?   Será que ser escrava voluntariamente, podendo abdicar desta condição a hora que quiser obedecendo a tríade SSC (São, Seguro e CONSENSUAL) que baseia o BDSM é algo mais que mera fantasia?   Claro que não é real, é apenas mais um fetiche, sim, fetiche. 



   Fetiche para os BDSMers são práticas eróticas apimentas praticadas tanto por BDSMers quanto por baunilhas, mas na verdade isto é errôneo.
   Fetiche é uma palavra de origem francesa, alteração da palavra feitiço da língua portuguesa, que por sua vez tem origem no latin (facticius, “artificial, fictício).  Palavra usada originalmente a práticas religiosas, portanto, a ligação dela com sexo exclusivamente é um conceito falso.   O que contraria a falácia dos BDSMers de que fetiche é uma prática dos baunilhas imitando BDSM, BDSM é algo menor dentro do sadomasoquismo, significa meramente Bondage/disciplina; Dominação/submissão e Sadismo/masoquismo.   Porém dizer que sadismo e masoquismo está contido é um grande engano, sadomasoquismo é um instinto humano, precede qualquer conceito de qualquer comunidade, o ser humano é o único animal sadomasoquista e sempre o foi.



   As trilogias, apesar de ainda muito cruas, estão tirando das sombras uma prática cheia de tabu, mas que norteia os desejos mais íntimos da maioria das pessoas, as singelas donas de casa estão podendo sair da total ignorância impelida por uma sociedade machista e opressora, onde a maioria dos maridos as trata como a santa mãezinha de seus filhos e governanta do lar.    A maioria das  mulheres querem ser tratadas pelo seu homem na cama como uma vadia.  Algumas vão além da cama, é fato, seu desejo de ser exposta leva sua libido para fora da alcova, mas isto é outra história.   Ela quer se sentir amada, desejada e usada sexualmente sim.   Quer ter sua sexualidade potencialmente explorada, mesmo que ela ainda não saiba disto.
   Observando o comportamento de algumas ‘beatas’ diante de alguma cena com forte apelo erótico, vejo a expressão escandalizada, a boca aberta, tal qual uma mulher com desejo, ela profere palavras de indignação, mas em hipótese alguma desvia o olhar, sua mente luta contra seus instintos carnais e a libido instantaneamente despertados naquela cena tão “absurda”.   Não existe mulher santa, as pudicas são verdadeiras hipócritas e seus pares uns verdadeiros idiotas.  Não existe mulher frígida, existe homem que não sabe despertar nelas a sua libido, porque é inapto e egoísta.   A diferença está em que a mulher demora mais que o homem para ficar plenamente acesa, precisa de mais estímulos e preliminares que ele.



   Os BDSMers falam com indignação que as trilogias vem fazendo do BDSM um modismo, eu digo que vem fazendo um favor, não só a esta comunidade, mas a humanidade no todo.
   As simplórias donas de casa descobrindo sua sexualidade de forma mais ampla, desmistificando velhos tabus.   Muitas se vem nas cenas descritas, sendo atadas e açoitadas, soubessem elas na prática que um spank leve tem o poder de atingir as camadas inferiores da pele, aquecendo-a, deixando as terminações nervosas mais sensíveis a menor carícia que é feita depois, elas já teriam começado a nova era da revolução sexual.   Muitas mulheres são forçadas a uma rotina dura, onde elas tem que liderar uma casa, um função no trabalho e tudo o que mais as realiza é poder se despir de toda esta responsabilidade e deixar tudo nas mãos do seu homem, o seu Dono; se prostrar diante dele vulnerável e suscetível as suas vontades, ser cuidada e usada por este homem.   Ele por sua vez tem imenso prazer nisto, sua virilidade aflora com força, pois é da natureza masculina este controle, com suas exceções é claro, tanto de um lado quanto de outro.



Nota: A parafilia foi a partir Freud considerada como transtorno da sexualidade, de acordo com o que seja aceite por uma sociedade histórico-cultural.   Entretanto a OMS (Organização Mundial de Saúde), define como NÃO PATOLÓGICA as parafilias em que o indivíduo não precise exclusivamente dela para obter prazer sexual, que não incorra em crimes, como pedofilia, cárcere privado involuntário e assassinato, que não prejudique física e psicologicamente de forma irreversível, que não afete a vida social e familiar e que não inclua incapazes, entenda-se por incapazes os animais, as crianças e os doentes mentais.
   Os psicólogos e psiquiatras brasileiros deveriam se atualizar antes de colocarem todos os praticantes de BDSM como doentes, deixarem de fazer laboratório acadêmico apenas em presídios e sanatórios, deveriam buscar contato com a comunidade BDSM onde estão os praticantes sãos, porque ter apenas um aspecto de um assunto é ter uma má formação e ser um ‘profissional’ tendencioso.

Por Dorei Fobofílica.

Um comentário:

ninna submissa disse...

Dorei, querida!

Não tenho andado pelos blogs como antes, mas confesso que senti uma imensa saudade de ler teus escritos. Todas as vezes que faço isso, não me arrependo de te-lo feito. Sempre considero, momento de aprendizagem, de enriquecimento pessoal, pq tenho dito que ninguém veio mesmo para esse mundo a passeio, sempre temos algo para ser revisto, melhorado...

Confesso que a enxurrada de pessoas dizendo-se dominadores ou submissos, me incomodou profundamente de inicio. Confesso que cheguei a indignar-me com tamanha invasão.

Esse comportamento inicial, eu considero plenamente normal. No entanto é necessário rever alguns aspectos importantes, entre eles o de que minha verdade, baseada em experiencias minhas, do que vivo, do que apreendi, diz respeito e servem apenas a mim e no máximo o que pode fazer é colaborar para esclarecimento de outrens, a partir da possibilidade de não ver apenas um lado, uma opinião, uma postura, um olhar.
Quando isso persiste e eu coloco minhas concepções como as únicas verdadeiras, eu passo então a segregar pessoas, a deixá-las a margem do que eu acredito, mas tudo isso se torna uma via de mão dupla.
Eu também perco na mesma proporção.

Adoro ler seus escritos e concordo sim, que as obras divulgam mesmo uma nova possibilidade de ver o mundo e ver-se de modo diferente do instituído e creio que ajudará muitas pessoas a compreender-se e encontrar novos caminhos.

Quanto a mim, ainda bem que tenho a capacidade de avançar nos olhares iniciais, não os mantendo, a não ser que sejam de fato significativos.

Obrigada, querida!
Beijos, sempre cúmplices e admirados por ti sempre.

AVISO:

As imagens contidas neste blog foram tiradas de sites de busca, estando disponíveis livremente na rede, sem fazer referencia aos autores. Entretamto sem o intuito de usar material de terceiros indevidamente, digo que, caso voce seja autor de alguma delas e deseje que a retire, deixe um comentário e a retirarei ou colocarei os devidos créditos se for da tua vontade.

Atenciosamente;
Dorei Fobofílica.

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