Slides e Links de Todas as postagens

29 setembro, 2013

REPRESENTAÇÕES PERIGOSAS: O BDSM NA TV

Já faz vários meses desde que o BDSM tomou o centro das atenções na mídia. Com o lançamento do livro 50 Tons de Cinza, as práticas popularmente conhecidas como sadomasoquistas ganharam novo destaque na internet, na televisão e nas revistas. Os olhares curiosos, tanto daqueles que condenam o BDSM quanto de quem despertou interesse pelas práticas, se voltam para as demonstrações, produtos e notícias na mídia como fonte de informações a respeito do tema – e é aí que mora o perigo.
No Guia Erógeno, sempre enfatizamos a importância da responsabilidade e transparência entre os praticantes BDSM. Há vários tipos de acidentes que podem acontecer, partindo desde casualidades físicas, que podem deixar sequelas permanentes ou até mesmo risco de morte, até outros problemas de cunho emocional ou psicológico, que podem ter efeitos devastadores em uma pessoa despreparada. É por isso que não importa se as práticas são alguma forma complexa de Bondage ou se resumem a palmadas durante o sexo: todo cuidado é necessário para evitar acidentes.
No último sábado, a Globo exibiu uma cena na novela Amor à Vida em que Perséfone, personagem interpretada por Fabiana Karla, acaba acidentalmente na cama com um homem praticante de BDSM. Sem qualquer cuidado em explicar e dialogar com Perséfone, o homem simplesmente a algema de surpresa e começa a espancá-la com um chicote, ignorando completamente seus gritos de desespero e de dor. Esse ato de extrema irresponsabilidade e violência foi banalizado e transformado em uma situação cômica para a audiência, reforçando muitos estigmas e equívocos que, além de ofensivos para quem pratica seriamente, são extremamente perigosos.
O maior fundamento do BDSM, que diferencia suas práticas de situações de abuso, é a consensualidade. Enquanto o sexo baunilha pode se tornar corriqueiro, uma sessão de BDSM sempre requer preparo e planejamento: todos os envolvidos precisam saber que tipos de práticas acontecerão ali, conhecer os limites de cada parceiro e ter estabelecido palavras e gestos de segurança. Nada disso foi apresentado na novela, que minimizou os riscos e uma situação de abuso a uma simples questão de “azar” da personagem. Além disso, o local precisa ser rigorosamente higienizado e os equipamentos precisam ser testados previamente, o que passou bem longe de acontecer na televisão.
É preciso compreender que, enquanto o BDSM pode ser praticado de forma relativamente segura, os perigos inerentes às suas práticas são reais. Não se trata somente de um pequeno machucado no lugar errado ou de um desconforto que leva alguns dias a mais para passar. Mesmo o chicote mais barato pode prejudicar órgãos internos e cordas ou algemas de tecido podem prender a circulação, causando problemas seríssimos ao submisso. Se os envolvidos na sessão não possuem conhecimento, experiência prática e segurança sobre o que estão fazendo, as chances de acontecerem acidentes são muito grandes. E não basta o dominador dizer ao submisso que “está tudo sob controle”: todos precisam estar completamente conscientes e esclarecidos dos riscos para poder consentir. É por isso que é tão alarmante quando um dos canais midiáticos mais influentes do planeta faz uma representação errônea do BDSM, sem qualquer orientação ou ressalva para a audiência.
Já é muito preocupante que tantos casais inexperientes comecem a praticar BDSM sem qualquer instrução. Instrumentos pesados de couro ou metal são facilmente acessíveis e, sem orientação, muita gente acaba envolvida em acidentes quando a situação foge inevitavelmente do controle. O fato de que há toda uma cultura endossando práticas abusivas e banalizando o conceito de consentimento esclarecido é alarmante, especialmente considerando os perigos do BDSM. E se acidentes causados por falta de conhecimento já são perigosos, há muitos falsos dominadores que se aproveitam da ingenuidade alheia para abusar e manipular suas vítimas, impondo práticas sem o consentimento prévio do parceiro ou parceira ou até mesmo expondo sua vida íntima e destruindo a privacidade.
A mídia é muito imprudente com o BDSM, principalmente porque não possui interesse genuíno na subcultura e não está comprometida com o bem estar público. O BDSM é utilizado como forma de humor e show de bizarrices, jamais sendo apresentado com a seriedade e respeito que lhes são devidos. E, ironicamente, os mesmos canais de comunicação que contribuem com a estigmatização do BDSM são também aqueles que condenam seus praticantes, apresentados como pessoas desviadas sexualmente, com transtornos mentais e perigosas para a população.
A maior massa de praticantes de BDSM são, na realidade, pessoas comuns, que estudam, namoram, trabalham e viajam nas férias. Muitos curiosos sentem vontade de experimentar, mas lhes faltam orientações acessíveis e confiáveis, tanto de um ponto de vista prático, quanto teórico. A escassez de informações em português é um grande problema para quem deseja ler a respeito e conhecer melhor o BDSM. Para quem deseja começar a praticar, é muito dificil saber onde procurar pessoas mais experientes, com quem aprender a praticar com segurança ou tirar dúvidas. E a situação fica ainda pior com a banalização reforçada pela mídia, que faz com que a maioria das pessoas nem mesmo busquem as informações e orientações necessárias.
A mídia precisa se responsabilizar pelos acidentes e abusos que acontecem por conta de sua representação equivocada do BDSM. Negar ou condenar a existência do BDSM também não funciona; é preciso conscientizar a população de forma responsável e humanizada sobre as práticas fetichistas, atentando para a necessidade de buscar parceiros confiáveis e cautelosos. Somente assim será possível prevenir acidentes em grande escala; sem a compreensão básica da importância do consentimento esclarecido e das medidas segurança, não apenas o BDSM, mas qualquer prática sexual tem o potencial de se tornar perigosa.


11 setembro, 2013

Talvez tenha chegado o momento de dar ALMA ao BDSM

   A cada dia que passa vejo pessoas mais perdidas, elas se aproximam do BDSM cheias de sonhos...   Sonhos?!   Claro! Sonhos sim, todos temos.
   Chegam ávidas de viver a experiência, sejam elas submissas ou dominadoras, as pessoas tem pressa.   Hoje o mundo vive com pressa para tudo e tudo se torna superficial e vazio, não apenas no BDSM.
   Então lá vai a pessoa para a primeira experiência e vá lá se for um Dominador, ao menos vai conduzir as coisas de acordo com os ‘seus sonhos’, o que não garante que saia como o imaginado.   Já a submissa vai para a entrega de tudo, para servir, para satisfazer.   Provavelmente já ouviu falar de ‘submissa de alma’ e/ou de ‘entrega incondicional’.   Há nisto tudo um vazio de humanidade tão devastador que devora a pessoa por dentro, deixando-a desprovida de seus valores mais básicos.  
   Tive o privilégio de conhecer o BDSM pelo amor.  Isto, AMOR sim!!!   Sei que outras pessoas também tiveram e têm o amor em seus relacionamentos, outras ainda não tiveram isto, mas querem e apesar de saber ser difícil, sabem que não é impossível.   Claro que tem aqueles que preferem sem este nobre sentimento.   Porem sinto que quem tem o amor no BDSM volta de cada sessão mais forte do que foi, volta feliz, confiante e cheio de segurança em si.   Ganha energia para a vida cotidiana e sua lucidez é nítida.

  Não vejo profundidade em sessões sem amor, não tem maior motivador para a subserviência de uma submissa, nem para os cuidados de um Dono (sem colocar aqui o gênero como fator determinante).
   Existe uma ditadura velada para comportamentos e sentimentos que a maioria parece ter vergonha de expor o que sente de verdade, mas no fundo todos temos sentimentos, se não tiver há algum problema com a psique do indivíduo.
   Não é fácil ser BDSMer, mas deveria ser prazeroso.   Embora o prazer neste contexto pode ter interpretações antagônicas, haja visto a frase “É bom porque é ruim, seria melhor se fosse pior.” (autor desconhecido).   Ainda assim, no fim há de ser prazeroso.
   Dominar é uma arte nata, não basta ter o poder, tem que saber comandar, antever reações e tirar prazer da dor, da tortura psicológica, da entrega recebida da submissa.  Não se constrói um dominador, ele o é por instinto, ele sabe ler sua posse intimamente, mesmo que ela diga não, ele sabe até onde pode levá-la.  
   Submissão pode ser construída, não precisa de muita percepção, tem que seguir ordens, mas não quer dizer que seja prazerosa, entretanto quando há prazer em servir, aí sim, vale a pena!
   Antes de enveredar por estes caminhos espinhosos é preciso saber o que se quer, estudar muito bem onde vai entrar, com quem vai se relacionar, a compatibilidade de idéias e principalmente a integridade de caráter.
  
   Para mim tem muita coisa que não merecia ser chamada de BDSM, lógico que quem admira estas coisas estará discordando, mas um Dono que preza sua posse não compartilha, não empresta, não aluga.   Isso para mim tem outro nome, pode ter valia para quem faz, mas não compreendo como uma prática BDSM, vejo que o BDSM é apenas uma desculpa que se dá para usar alguém ou se deixar levar de propósito.   Da mesma forma que práticas envolvendo incapazes de qualquer natureza; como menores, doentes e animais não deveriam ser chamadas BDSM.

   Eu vejo o ‘título de submissa de alma’ sendo usado como uma forma de enquadrar as submissas em normas pré estabelecidas, ela tem que se entregar sem questionar, servir sem ter prazer, obedecer cegamente...  Isso é um ser pensante que oferece ao Dono um estímulo pra pensar também, ou é uma boneca acéfala e sem graça?  Até os animais ditos irracionais nos questionam a seu modo, dentro de suas possibilidades, quando são adestrados.

   Talvez tenha chegado o momento de dar 'ALMA' ao BDSM.


Por Dorei Fobofílica.

08 junho, 2013

BDSM faz bem para a saúde mental!


Pessoas que praticam sexo kink podem ser psicologicamente mais saudáveis ​​do que aqueles que não praticam, afirma um novo estudo. Os pesquisadores descobriram que pessoas que estiveram envolvidas em BDSM - bondage, disciplina, sadismo e masoquismo - pontuaram melhor em alguns indicadores de saúde mental do que aqueles que não praticam, informou LiveScience.

O estudo, que foi publicado no Journal of Sexual Medicine, em maio, examinou 902 pessoas que praticam BDSM e 434 pessoas que preferem o chamado "baunilha" (sexo tradicional). Cada pessoa preencheu questionários sobre suas personalidades, bem-estar geral, sensibilidade à rejeição e estilo de apego nos relacionamentos. Os participantes não estavam cientes do objetivo do estudo.

Apesar dos pressupostos anteriores que tendências BDSM pode ser correlacionados com distúrbios anteriores de abuso, estupro ou mental (a pesquisa mostrou que eles não são), esta pesquisa constatou que as pessoas excêntricas realmente pontuaram melhor em muitos indicadores de saúde mental do que aqueles que não praticavam BDSM, informou LiveScience. De acordo com a Reuters, os participantes BDSM-amigável (consensual) foram considerados menos neurótico, mais aberto, mais conscientes e sensíveis à rejeição, mais seguro em seus relacionamentos e têm um melhor bem-estar geral.

Andreas Wismeijer, psicólogo Nyenrode University Business na Holanda e autor principal do estudo, disse ao LiveScience que as pessoas envolvidas na comunidade BDSM marcaram melhor nas pesquisas, porque eles tendem a ser mais conscientes e comunicativossobre seus desejos sexuais , ou porque eles têm feito algum "trabalho psicológico elaborado" para aceitar e conviver com as necessidades sexuais que estão além do escopo do que é muitas vezes considerado socialmente aceitável.

Esta pesquisa não é necessariamente representativa da população em geral, pois os participantes foram selecionados de forma voluntária, mas suporta o argumento para a remoção de BDSM do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Na atual DSM, BDSM fetiches são listados como "parafilia", que abrange essencialmente os que têm preferencias sexuais "incomuns".


Fetiche comunidades têm argumentado por anos que gostos sexuais inofensivos não deve ser listado ao lado de transtornos mentais. Talvez a pesquisa vá ajudar a reforçar o seu caso.

06 junho, 2013

BDSM, as Leis Brasileiras, consenso e bom senso.


   Venho observando a preocupação de Dominadores sérios com a visão da lei para o BDSM.   Com a Lei Maria da Penha a situação dos fetiches praticados pelos BDSMers tem ficado mais arriscada.  Haja vista que se vê na internet cada vez mais pessoas procurando por em prática suas fantasias e curiosidades sem realmente procurarem se inteirar de forma responsável sobre aquilo que inadvertidamente põem em prática.
   A trilogia tão execrada pelos BDSMers tem seu lado ruim, mas também, como venho dizendo desde o começo, podem abrir um precedente para que as leis deste país façam um adendo que inclua direitos aos que sejam comprovadamente praticantes.   Quem sabe até validando alguns contratos dentro de uma limitação?  Só uma ideia.
   Mas fato é que a mídia aberta divulga apenas a dominação feminina sobre o homem, sequer há dominação feminina sobre outra mulher, pelo menos eu ainda não vi.   Pode-se citar como exemplo a entrevista de Dominique Luxor ao Jô Soares, um dos programas Amor e Sexo da Fernanda Lima em que foi um submisso e recentemente pequenas pitadas da novela Salve Jorge com Giovanna Antonelli com a delegada Helô e seu ex-marido.  
   As leis aqui têm dois pesos e duas medidas, mas também tem muitas brechas que podem ser usadas por um bom advogado criminalista.
   Senão vejamos: o que se diz dos pugilistas, dos lutadores de MMA? Não tem o direito de fazer de seus corpos o que querem? Mesmo que hajam danos, desde que não sejam irreversíveis. Vamos considerar as lutas marciais como delitos também? Ou é um direito do cidadão fazer o que quer do seu corpo dentro de um limite? Furar as orelhas de um bebe, por piercing, tatuar-se, arrebentar o rosto do oponente no ringue/ou se deixar arrebentar; ou cortar o corpo de alguém para uma intervenção cirúrgica é menos lesão corporal do que umas palmadas ou chicotadas desejadas para estímulos sexuais?
Para me fazer entender, explico que segundo o Vocabulário Jurídico de Plácido e Silva, a definição para lesão é: "exprimir o golpe, a ferida, dor, enfermidade causada ao ser humano" Portanto cabe perfeitamente em todos os exemplos, a única diferença entre eles é o preconceito.
   Aliás, partindo deste princípio pode-se elaborar uma defesa, se for um bom advogado, é claro.
   Esta defesa fica facilitada quando a relação entre Dominador e submissa é conhecida por algum meio comprobatório.   O conteúdo lançado na internet hoje é reconhecido pela lei na Delegacia Virtual.   Hoje qualquer internauta não muito bem informado sabe disto.   Mas só isto não é suficiente, é interessante quando pessoas físicas tenham conhecimento desta relação e possam servir como testemunhas do consenso, já que a palavra da submissa (suposta vítima arrependida ou chantageada), não serve como testemunho segundo a Lei Maria da Penha (que aliás, só vale para casais, casados, namorados, não serve para outro tipo de situação).
   É bom saber que existem dois tipos de visões legais, a da polícia e a jurídica.   No primeiro momento a polícia vai te ferrar mesmo se você for flagrado, pois até provar que titica de pinto não é pipoca a coisa já foi para o vinagre, então o consenso aliado ao bom senso deve sempre prevalecer.
   Antes de se jogar nas ‘maravilhas’ do BDSM seja sensato e procure conhecer onde está se metendo, procure ler muito e fazer o seu parceiro fazer mesmo.   Conhecimento não ocupa espaço e sempre vai te favorecer.   Além disto, vai auxiliar em se conhecer melhor e fazer as escolhas desejadas, nem tudo o que o BDSM oferece é conveniente a todos.   Cada qual com suas preferências, mas antes de tudo deve-se praticá-las com responsabilidade, prevenção de situações comprometedoras e embaraçosas, como um vizinho bater na sua porta de repente para saber se está acontecendo algo, ou pior, fazer uma denúncia de violência doméstica.   Em caso de urgência médica, como explicar os hematomas?  É entendido pelos médicos como lesão corporal e se houver cortes pode ser interpretado como tentativa de homicídio e para aquelas que curtem agulhas pense no caso de ‘exercício ilegal da medicina’, ou seja, falsidade ideológica, crime hediondo.
   BDSM é brincadeira de gente grande, adulta, idônea, bem resolvida psicologicamente, tenha certeza que seu parceiro não vai fazer uma denúncia contra você se algo sair errado segundo a visão dele.
   Os perigos não param por aqui, vai muito além das coisas que mencionei, como transportar alguns materiais, como lâminas, cordas, chicotes e outras coisas que são usadas nas práticas e podem ser interpretadas como material de ‘crime’ no caso de uma batida policial ou outra situação, assim como fotos de práticas com o rosto a mostra, podem ser usadas pelo cônjuge para haver guarda de filhos e outras situações.   As possibilidades são tão infinitas quanto as práticas contidas no BDSM. 
   Procure ficar informado, ter um perfil virtual teu e do parceiro com pelo menos foto parcial do rosto para que se possa conferir depois, que a prática é consensual.
   Tomadas todas as providencias aproveite, porque é delicioso!


Por Dorei Fobofílica.

07 abril, 2013

ConsCiência para o BDSM no DSM-5


    Conforme artigo publicado no noticiário Slate no dia 08 de março e no blog Live Science no dia 02 de abril, vem aí no mês de maio uma pequena mudança na quinta edição DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) e pela APA (American Psychiatric Association), de onde surgiu a necessidade de classificar doenças mentais ‘conhecidas’ desde 1840, o que certamente precisa ser revisado e está sendo, embora que ainda com muita timidez.  
   Depois da Segunda Grande Guerra foram desenvolvidas nomenclaturas para desordens mentais pelo exército americano para tratar veteranos de guerra, o que trouxe insatisfação para a classe de psiquiatras deste país que resolveu criar o CID (Classificação Internacional de Doenças) a partir de uma proposta da OMS (Organização Mundial de Saúde), que foi publicada em 1952 em sua primeira versão.   De lá para cá muitos erros de classificação tem sido observados, mas falta a ousadia necessária e também uma boa dose de coragem de admitir isto em uma norma oficial mundial.   Faltam sintomas e características comuns que possam definir doenças e propiciar um diagnóstico, fazendo com fossem influenciados por ideias de analise e psicanálise e também pela influência da sociedade.   (Pessoalmente acrescento que junto a estes laudos está o jugo da igreja, cheia de pessoas com ideias pré-concebidas e de interesses muitas vezes duvidosos, de políticos influentes e parentes mal intencionados e abastados financeiramente).
   A partir dos anos 60 a psiquiatria começou a ser questionada por diversos segmentos, a insatisfação gerada pelos modelos vigentes na época deu início a um movimento que ficou conhecido como antipsiquiatria.   Os anos passaram sob muitas controvérsias e óbvias incertezas da classificação das doenças mentais.  Os homossexuais que até 1974 faziam parte da mesma classificação da pedofilia, conseguiram sair do tal classificação do manual, sendo hoje considerados normais e não doentes mentais ou portadores de desvio de conduta sexual, tem a lei para fazer valer seus direitos desde que não se sintam perturbados por sua orientação sexual, do contrário estariam classificados no SOD como perturbados com sua orientação sexual, o que só mudou definitivamente em 1987, quando o homossexualismo foi definitivamente removido do DSM.    Agora os fetiches e o BDSM vem trilhando os mesmos caminhos, já com alguns resultados conseguidos nas últimas revisões do DSM e OMS.   Não devemos esquecer que o DSM se baseia nas convenções sociais e junto as evidências científicas.
    As vésperas de ser editado o novo manual, o BDSM; que a despeito de ter reconhecido pela OMS que sendo praticado por adultos idôneos, sem danos irreversíveis a si mesmos e a terceiros, nem o envolvimento de incapazes, como menores de idade, incapazes mentais (considero um animal como incapaz de decidir por si) e que seja consensual e não seja a única forma de obter prazer, é considerado normal, desde que conviva bem com isto (aceitável); ainda continua vigorando na mesma classificação da pedofilia (absurdo que deve ser parcialmente revisto agora em maio, embora a formulação exata do DSM-5 esteja sendo mantida em rigoroso sigilo).
   As discussões online dos pesquisadores da APA sugerem que podólatras e bondagistas não vão se ver totalmente fora deste livro.   Provavelmente as parafilias devem ganhar uma categoria própria, não sendo mais necessariamente sinais de doenças mentais, mas se este fetiche prejudicar alguém será considerado transtorno parafílico.    Esta é a forma que encontraram para dizer que uma parafilia benigna é considerada legal, segundo Ray Blanchard da universidade de Toronto  que preside os trabalhos sobre transtornos sexuais e de gênero para o DSM-5.    Entretanto ainda tem muitos psiquiatras argumentando que deixar parafilias benignas no DSM-5 é demais, que elas deveriam sair e que fixações sexuais que causam danos deveriam ser tratadas com outro diagnóstico para não estigmatizar pessoas que gostam de práticas BDSM e são inofensivas.
    Hoje as parafilias ainda são consideradas como objetos incomuns de excitação que vão desde o mundano e geralmente inofensivo, como os fetiches, até o vilipendiado, como a pedofilia.   Associação Americana de Psiquiatras sugere que o novo DSM pela primeira vez definirá claramente o termo “parafilia”, sendo as benignas consideradas como estímulos sexuais fenotipicamente normais, consentidos por parceiros humanos em idade adulta.
    O que hoje torna as parafilias marginais, é que elas vão desde indubitavelmente prejudicial a benigna.   Tendo por exemplo a podolatria e a urofilia que podem até parecer nojentas, mas dificilmente causam algum mal a quem quer que seja; até a pedofilia, entre outras, que é um crime já conhecido de todos.
   O que direi do spank?  Sei que pode parecer brutal, assustador para muitos, mas o que se diz dos pugilistas, dos lutadores de MMA?   Não tem o direito de fazer de seus corpos o que querem?   Mesmo que hajam danos, desde que não sejam irreversíveis.   Vamos considerar as lutas marciais como transtorno também?   Ou é um direito do cidadão fazer o que quer do seu corpo dentro de um limite?  Furar as orelhas de um bebe, arrebentar o rosto do oponente no ringue/ou se deixar arrebentar; ou cortar o corpo de alguém para uma intervenção cirúrgica é menos lesão corporal do que umas palmadas ou chicotadas desejadas para estímulos sexuais?  
   Para me fazer entender, explico que segundo o Vocabulário Jurídico de Plácido e Silva, a definição para lesão é: "exprimir o golpe, a ferida, dor, enfermidade causada ao ser humano"   Portanto cabe perfeitamente em todos os exemplos, a única diferença entre eles é o preconceito.

   Espero que em maio as novidades no DSM-5 não sejam tão tímidas e que sejam mais justas, afinal, definir que pessoas com interesses sexuais excêntricos não necessariamente tem distúrbios mentais parece ótimo, mas não é bem assim, pois não estamos saindo desta lista, que diz que pessoas com interesses sexuais excêntricos que não sofrem de angústia pessoal sobre seu interesse, são considerados benignos (sãos), mas se outro indivíduo com os mesmos interesses sexuais excêntricos sofrer de angústias pessoais sobre seu interesse ele então sofre de algum tipo de transtorno ou desordem sexual.
   Ora veja!  Então uma pessoa que esteja em conflito porque se descobriu homossexual e ainda não está administrando bem esta descoberta nova é uma sadia em conflito emocional temporário, mas uma com interesses fetichistas ou BDSMers com os mesmos conflitos sofre de transtorno ou desordem sexual?   Isto se aplica a alguém que sofre por não gostar de alguma parte de seu corpo, como exemplo suas orelhas de abano, ou seu nariz adunco, ou qualquer coisa que o valha?  Onde está a diferença?
     Um dos princípios fundamentais da medicina é: Primeiro, não fazer mal.  Mas o que faz a medicina a estes cidadãos em todo mundo com ‘interesses sexuais excêntrico  que se sentem marginalizados, oprimidos e envergonhados pelo estigma social em que foram lançados pela DSM, ATA, OMS e afins?   Continua fazendo parecer patológicas as sexualidades não-criminais atípicas  causando mal a estas pessoas (incluo-me).
Os homossexuais, começando pelas mulheres, começaram um movimento hoje conhecido e comemorado anualmente, o arco-íris, onde deram a cara a bater e fizeram com que fossem reconhecidos como pessoas normais, independente de sua opção sexual (entenda-se que fetiches e BDSM também é uma opção sexual).   O que é que faz os BDSMers e fetichistas tão desunidos?  Ao invés de se esconderem em comunidades desconhecidas e ficarem procurando se auto afirmar como DOM(ME) sabe tudo e é dono da verdade absoluta, deveriam se unir num propósito comum, de fazer reconhecer seus direitos, de fazer as leis criarem cláusulas que os inclua como cidadãos idôneos e possuidores dos mesmos direitos e deveres de qualquer cidadão, como aconteceu com os homossexuais, os negros e outras minorias.   Sei perfeitamente que as classes citadas ainda tem problemas, mas ao menos podem exigir seus direitos como pessoas possuidoras de sanidade e com leis que podem buscar em sua defesa.  

   Que hora vai acabar o tempo das queixas recalcadas em boca miúda e vamos levantar a bandeira do nosso próprio movimento em defesa dos nossos direitos?

Por Dorei Fobofílica.

05 abril, 2013

UM(A) DONO(A) OU SUB URGENTE, PELO AMOR DE DEUS!


Este texto fala diretamente a todos nós.
Não deixem de ler.


É complicado lidar com o desespero. Especialmente com o desespero que percebemos em algumas pessoas chegando recentemente ao BDSM, geralmente meninas candidatas a Anastácias, que precisam muito virar sub-princesas antes que a moda acabe!
Mas o fenômeno em si não é novo, mesmo muito antes do livro, me deparei não apenas no Fetlife, mas também no falecido Orkut, e nas poucas vezes que entrei nas velhas salas de chat do UOL, com pessoas em busca de caras-metades instantâneas para vivenciarem suas fantasias “BDSM”. E aí mora uma série de questões problemáticas que acho importante abordar.
Poderia começar abordando as questões atinentes à segurança, diante do despreparo oriundo da inexperiência das subs neófitas em compreender riscos de se relacionarem de modo tão intenso com desconhecidos (às vezes desconhecidos de todos nós, um pouco mais antigos no meio), e também de Tops iniciantes pisarem em chão escorregadio pelas má intenções de pessoas descompensadas, frustradas, ou até mal intencionadas mesmo.
A pressa ajuda muito as piores coisas do mundo a acontecerem com as pessoas que procuram prazer e satisfação imediatos.
Não raro sou procurado para indicar, ou apresentar pessoas, por submissas e Dominadores que estão se aproximando ou retornando ao BDSM, já de posse de uma espécie de currículum vitae (o que não é má ideia!), prontos a se candidatarem a Donos ou subs para suas práticas. Acho louvável que sejamos capazes de delinear o que somos, e traçar o perfil do que procuramos, de forma até um pouco objetiva. Mas é necessário compreender que a vida não é objetiva. E muito menos no BDSM.
Até pelo fato de que é impossível saber através dos itens listados numa conversa curta, ou num currículo de preferências e experiências, o tipo de pessoa com quem estamos lidando. Mesmo os praticantes da linha Masô, que não buscam nada muito sentimental, nem D/s, e pretendem mais um parceiro de atividades do que uma “metade da laranja”, precisam perceber que por trás de um chicote existem pessoas que podem deter TODO O TIPO DE INTENÇÕES. É sim necessário conhecer MUITO BEM com quem estamos lidando. E isso, meus caros, passa por um processo um pouco mais longo do que simplesmente trocar MSN e marcar o motel.
Evidente que este textinho (mais um) pode estar passando batido e desinteressante pra galera da velha trilha no BDSM, que já conhecem bem todos os parâmetros de risco, e tals... Mas o que não falta é gente chegando, completamente perdida.
Apesar de o BDSM não ser um covil de lobos malvados (se bem que...), certamente tem a amostragem de gente boa e ruim em proporções muito semelhantes à do meio baunilha (e isso não é pouca gente ruim não). A diferença é que no BDSM, essas pessoas tem sua vida e sua saúde nas mãos. A segurança de sua integridade física, moral e emocional (talvez até espiritual!). E isso não depende do quanto você está disposto a entregar de sua vida.
- Depois que a porta fecha, e “a luz apaga”, você só terá as certezas que construiu antes de entrar.-
É aí que cravo o facão no chão na minha afirmativa: Você terá o que mereceu. Não importa o quão maravilhoso, terrível ou trágico, você terá o que mereceu, e estará perto de quem você escolheu. Então, minha recomendação é que cada passo seja pensado com responsabilidade.
E não pensem os senhores Dominadores mega-fodões que estão livres disso. Uma submissa frágil, inocente, portadora de olhos doces e voz macia pode ser a ruína da vida de um verdadeiro Capitão Nascimento ou King Kong. Nada que meia dúzia de palavras difamatórias falsas, um B.O. de delegacia, ou uma campanha pessoal pelo fim de sua privacidade não faça tornar um desgosto. Dominador “Comedor”, que passa o rodo geral nas subzinhas pode escorregar nas intenções de alguma delas.
Agora, combinados de que o risco não tem posição hierárquica, fica minha proposta: Olhemos com responsabilidade para nossas escolhas, não apenas para que fiquemos longe de riscos, mas também para aumentar nossas chances de estarmos próximos de gente realmente compatível e interessante em todos os aspectos.
Não esqueçam que o tempo que perdemos ao lado de pessoas que não são o que procuramos não volta mais. E que muita gente bacana deixa de estar perto da gente neste período.
Mas, por último, e não menos importante, lembremos também que perfeição é coisa “bem rara”. E geralmente, pura aparência. Saber aceitar os outros como são também é uma das fórmulas da felicidade. Não adianta perfilar tudo o que queremos de alguém. É preciso que sejamos um perfil que merece aquilo que deseja.
Afinal, SEMPRE estaremos cercados de gente que merecemos. Como quer que eles sejam, é o que merecemos.
(Por DomJupiter - 04/04/2013)


Apesar de que pessoalmente eu acredito que as trilogias tem sua validade no sentido de tirarem o peso que existe no olhar da sociedade sobre os BDSMers, mas considero e sempre considerei as questões citadas no texto de Dom Jupiter fundamentais. É um texto que merece ser amplamente divulgado.  
Dorei.




17 fevereiro, 2013

FETLIFE (Rede Social BDSM)



  Devido a algo ocorrido em um ambiente de festa BDSM Dress Code no Rio de Janeiro, resolvi escrever para falar de uma rede social aos moldes do Facebook, mas dirigida exclusivamente ao público BDSM.
   O FETLIFE é uma rede social muito boa para a comunidade, aproxima pessoas com interesses similares, tem vários grupos de de tópicos interessantes para quem deseja aprender mais, saber a opnião de várias pessoas com visões diferentes sobre o assunto e muito mais.   Entre estes grupos posso destacar alguns; RE-UNIÃO, A Casa da ValentinnaBDSM - Rio de Janeiro e TNG Portugal.
   Aliás, acho que considerando as palhaçadas do Facebook de exigir identificação e excluir e punir irracionalmente os perfis, para quem curte fotos eróticas/sado, Dominação/submissão, Sadismo/masoquismo ou Fetichismo, seria a migração perfeita.
   Claro que poderia ser melhor, ainda existe muito preconceito e ditadores de verdades particulares como em todo lugar, até mesmo onde isto nunca deveria ocorrer.   Principalmente em se tratando de praticantes latinos, afinal temos um jeito só nosso de vivenciar o BDSM, muito diferente do americano e europeu, mas de toda forma ainda é o melhor lugar para conhecer pessoas com os mesmo interesses, participar de tópicos interessantes, dar e receber opinião, colocar duvidas em pauta para serem debatidas, saber de eventos que acontecem neste meio e tudo o mais relacionado ao assunto.
   Fica aqui a sugestão para quem ainda não conhece o FETLIFE.
   Acredito que isto vá contribuir para que as pessoas conheçam mais sobre seus instintos ainda não conhecidos dos novatos, que vá proporcionar um ingresso impresso aos participantes, evitando que indivíduos arruaceiros invadam o ambiente, tornando-o mais seguro, além de outros fatores que certamente contribuirão para os interessados.

Por Dorei Fobofílica.

16 fevereiro, 2013

Cordas de Rami (Lord Bondage)


   Quando temos amor/tesão por algo, queremos sempre saber mais, aprender, conhecer. Dentre as várias coisas que classifico como sendo esse “algo” para mim, estão as cordas e o shibari. Dessa forma comecei a produzir minhas próprias cordas de juta, e depois de muitas tentativas e erros, encontrei a torção e o tratamento corretos.
   Sei da existência de várias fibras naturais utilizadas na produção de cordas para shibari. Além da juta e do cânhamo – as tradicionais – já tomei conhecimento de cordas de fibra de linho, coco, bambu, arroz, bananeira, seda, algodão, sisal, entre outras. Pesquisando esse assunto, uma determinada fibra natural me chamou a atenção: o rami.
   Esta fibra, pertencente à família de fibras longas, tem em média de 150 a 200 milímetros de comprimento a exemplo da juta, linho, sisal e cânhamo, e é extraída do caule da Boehmeria nivea. Apresenta alta resistência, sendo considerada 3 vezes superior a do cânhamo e 8 vezes superior a do algodão e, devido às suas propriedades físicas e químicas, é usada como matéria prima para muitos fins industriais.
É uma das fibras mais longas vegetais unicelulares, não podendo ser comparada com o linho e a juta, uma vez que as fibras destas plantas são formadas por uma reunião de fibrilas.
  Em relação à reabsorção, a fibra de rami absorve rapidamente a umidade, perdendo-a facilmente pela secagem, assim como o cânhamo. Devido a esse fato, é que os tecidos e cordas feitos com rami, resistem muito bem à ação da umidade. Neste particular, a diferença para o cânhamo está na sua propriedade química, sendo este último considerado imputrescível, ou seja, não apodrece em contato com a água.
   A celulose que compõe a fibra do rami, na sua maioria, é constituída de alfa celulose, que, das formas de celulose, é a mais resistente ao ataque de reativos químicos. Isso é importante, pois dão à fibra grande resistência nos tratamentos subsequentes na produção de cordas, como, por exemplo, fervura, lavagem e tingimento (este último se for o caso).
Os fios são bem mais limpos de sujeiras e impurezas que os de juta, facilitando muito o trabalho de torção e retorção e, consequentemente, apresentando um resultado visual final melhor.
 Tudo isso pesquisado, mãos na massa e conseguir isso:
   As mais escuras foram oleadas, e a mais claras foram branqueadas e depois oleadas. Ao toque são macias, leves e de um cheiro agradável. Na execução de alguns nós, o processo de desatá-los foi bem fácil. São um pouco mais ásperas que as cordas de cânhamo, sendo muito parecidas com as de juta.
   Acredito que sejam as primeiras cordas torcidas de rami já produzidas especificamente para o shibari. Caso alguém saiba da existência desse tipo de corda, agradeceria muito se me enviasse o link, contato ou alguma informação que seja para troca de experiências.
Por: Lord Bondage.

05 fevereiro, 2013

Sadomasoquismo, dominação e submissão saindo das sombras da ignorância





   Eu poderia começar falando de BDSM, mas apesar dos BDSMers arrotarem a sigla como se fosse o suprassumo, na verdade é mais um dos aspectos do sadomasoquismo e da Dominação/submissão D/s.
   Sadomasoquismo é a relação entre tendências opostas, sadismo e masoquismo.   Não vou aqui definir o que é sadismo e masoquismo, que pode estar seccionado em indivíduos diferentes, ou alternadamente dentro do mesmo indivíduo, este ultimo chamado de switcher.
   A comunidade BDSM insiste em dizer que BDSM não está necessariamente ligada a sexo, mas o sadomasoquismo também não está.   Como já citei antes, sadomasoquismo é inerente ao ser humano, não fosse por isto ninguém acharia graça em ver alguém tropeçar e cair.   Não vou entrar na seara das religiões e o quanto elas tem de sadomasoquismo nos fies que confessam faltas em busca de penitências, já falei disto aqui.   Apenas quero trazer a luz que o sadomasoquismo sempre foi uma característica de qualquer pessoa, ainda que não esteja ligada a vida sexual.


  Entre outros grandes horrores, o holocausto e a santa inquisição espanhola fizeram com que o mundo visse o lado mais sombrio desta natureza humana, entretanto trata-se apenas de poder caindo nas mãos de um doente.   Tudo na vida tem dois aspectos, o yin/yang, a maioria das pessoas vive o sadomasoquismo no dia-a-dia sem se darem conta.   A simples hierarquia familiar, militar e social nos impõe outro aspecto do que é vivido pela comunidade BDSM, dominação e submissão, onde um está na liderança e os outros são seus liderados.



   A comunidade BDSM sempre lamentou a discriminação que sofre da sociedade, de serem marginalizados, senão como criminosos, como doentes mentais, mas agora que as trilogias com temática BDSM vem explodindo nas livrarias, ainda que não seja tão exatamente de acordo com as regras obsoletas desta comunidade e vem fazendo o favor de desmistificar o assunto na sociedade “baunilha”, a comunidade BDSM anda em cólicas, revoltada, dizendo que o que é divulgado não é real.   Mas o que é real?   Será que o termo escrava e Dono atualmente tem sentido real?   Será que ser escrava voluntariamente, podendo abdicar desta condição a hora que quiser obedecendo a tríade SSC (São, Seguro e CONSENSUAL) que baseia o BDSM é algo mais que mera fantasia?   Claro que não é real, é apenas mais um fetiche, sim, fetiche. 



   Fetiche para os BDSMers são práticas eróticas apimentas praticadas tanto por BDSMers quanto por baunilhas, mas na verdade isto é errôneo.
   Fetiche é uma palavra de origem francesa, alteração da palavra feitiço da língua portuguesa, que por sua vez tem origem no latin (facticius, “artificial, fictício).  Palavra usada originalmente a práticas religiosas, portanto, a ligação dela com sexo exclusivamente é um conceito falso.   O que contraria a falácia dos BDSMers de que fetiche é uma prática dos baunilhas imitando BDSM, BDSM é algo menor dentro do sadomasoquismo, significa meramente Bondage/disciplina; Dominação/submissão e Sadismo/masoquismo.   Porém dizer que sadismo e masoquismo está contido é um grande engano, sadomasoquismo é um instinto humano, precede qualquer conceito de qualquer comunidade, o ser humano é o único animal sadomasoquista e sempre o foi.



   As trilogias, apesar de ainda muito cruas, estão tirando das sombras uma prática cheia de tabu, mas que norteia os desejos mais íntimos da maioria das pessoas, as singelas donas de casa estão podendo sair da total ignorância impelida por uma sociedade machista e opressora, onde a maioria dos maridos as trata como a santa mãezinha de seus filhos e governanta do lar.    A maioria das  mulheres querem ser tratadas pelo seu homem na cama como uma vadia.  Algumas vão além da cama, é fato, seu desejo de ser exposta leva sua libido para fora da alcova, mas isto é outra história.   Ela quer se sentir amada, desejada e usada sexualmente sim.   Quer ter sua sexualidade potencialmente explorada, mesmo que ela ainda não saiba disto.
   Observando o comportamento de algumas ‘beatas’ diante de alguma cena com forte apelo erótico, vejo a expressão escandalizada, a boca aberta, tal qual uma mulher com desejo, ela profere palavras de indignação, mas em hipótese alguma desvia o olhar, sua mente luta contra seus instintos carnais e a libido instantaneamente despertados naquela cena tão “absurda”.   Não existe mulher santa, as pudicas são verdadeiras hipócritas e seus pares uns verdadeiros idiotas.  Não existe mulher frígida, existe homem que não sabe despertar nelas a sua libido, porque é inapto e egoísta.   A diferença está em que a mulher demora mais que o homem para ficar plenamente acesa, precisa de mais estímulos e preliminares que ele.



   Os BDSMers falam com indignação que as trilogias vem fazendo do BDSM um modismo, eu digo que vem fazendo um favor, não só a esta comunidade, mas a humanidade no todo.
   As simplórias donas de casa descobrindo sua sexualidade de forma mais ampla, desmistificando velhos tabus.   Muitas se vem nas cenas descritas, sendo atadas e açoitadas, soubessem elas na prática que um spank leve tem o poder de atingir as camadas inferiores da pele, aquecendo-a, deixando as terminações nervosas mais sensíveis a menor carícia que é feita depois, elas já teriam começado a nova era da revolução sexual.   Muitas mulheres são forçadas a uma rotina dura, onde elas tem que liderar uma casa, um função no trabalho e tudo o que mais as realiza é poder se despir de toda esta responsabilidade e deixar tudo nas mãos do seu homem, o seu Dono; se prostrar diante dele vulnerável e suscetível as suas vontades, ser cuidada e usada por este homem.   Ele por sua vez tem imenso prazer nisto, sua virilidade aflora com força, pois é da natureza masculina este controle, com suas exceções é claro, tanto de um lado quanto de outro.



Nota: A parafilia foi a partir Freud considerada como transtorno da sexualidade, de acordo com o que seja aceite por uma sociedade histórico-cultural.   Entretanto a OMS (Organização Mundial de Saúde), define como NÃO PATOLÓGICA as parafilias em que o indivíduo não precise exclusivamente dela para obter prazer sexual, que não incorra em crimes, como pedofilia, cárcere privado involuntário e assassinato, que não prejudique física e psicologicamente de forma irreversível, que não afete a vida social e familiar e que não inclua incapazes, entenda-se por incapazes os animais, as crianças e os doentes mentais.
   Os psicólogos e psiquiatras brasileiros deveriam se atualizar antes de colocarem todos os praticantes de BDSM como doentes, deixarem de fazer laboratório acadêmico apenas em presídios e sanatórios, deveriam buscar contato com a comunidade BDSM onde estão os praticantes sãos, porque ter apenas um aspecto de um assunto é ter uma má formação e ser um ‘profissional’ tendencioso.

Por Dorei Fobofílica.

30 janeiro, 2013

Bom senso entre BDSMers



   Para falar de bom senso, primeiro vamos tentar definir o que é bom senso.
   Bom senso é um conceito ligado a noções de sabedoria e razoabilidade.  Define a capacidade que uma pessoa tem de se adequar a determinadas realidades e fazer bons julgamentos e escolhas, capacidade de organização e independência de análise da vida.  Às vezes confundido com o senso comum, sendo muitas vezes o oposto.
   É bem verdade que às vezes o senso comum pode mudar uma opinião eventualmente errônea e preconceituosa sobre algo ou alguém.
   Bom senso é sinônimo de sensatez, capacidade intuitiva para distinguir a melhor conduta em situações específicas, às vezes difíceis de serem analisadas mais detalhadamente. 
Aristóteles “Elemento central de conduta ética, capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta, o que é em termos mais simples, nada mais que o bom senso.”
Ralfh Waldo Emerson “O bom senso é tão raro quanto o gênio”
   Sendo assim, falar de bom senso entre BDSMers nada mais é que falar de bom senso em qualquer lugar e para qualquer pessoa, pois aquele que tem esta capacidade, a tem em qualquer circunstância.
   Não teríamos o desprazer de ver pessoas se achando donas da verdade, capacitadas a julgar a vida de pessoas que mal conhecem e achando que as suas regras e modo de viver a vida devem ser copiados pelos demais que a cercam, quiçá pelo mundo todo...
 Não veríamos Tops achando que são Tops para todos os bottons e nem bottons se submetendo a todos os Tops.   O que fariam então os Swithers?   Hora no topo, hora na base, seria uma confusão de sentimentos, expressões e comportamentos enlouquecedora.   Existe ainda quem diga que em um ambiente estritamente BDSM o comportamento deve se adequar a ele, pois então vejamos; O (a) submisso (a) entra no Clube BDSM e lá dentro ele deve quebrar as ordens de Seu Dono em favor de todos?   Será que ao entrar no Clube ele passou a ser submisso para todos os Tops?   Será que os Tops dentro daquele ambiente passaram a ter um haren de submissos?  
   Respeito é parte do bom senso e devemos respeito a qualquer pessoa, estas pessoas em contrapartida também nos devem respeitar.   Não quer dizer que um submisso deve chamar a todos de Sr e Sra. por ele se anunciar Top, talvez por respeito a sua idade, sim, mas pela pessoa e não pelo que ela é dentro do BDSM (que a despeito das pessoas que fazem disto um estilo de vida, é um fetiche SIM).   Existem pessoas que vivem intensamente seus fetiches BDSM em suas vidas e se acham no direito de dizem que quem vive diferente disto é mero e insignificante fetichista, como se quantidade fosse sinônimo de qualidade ou que ele próprio saindo do seu mundinho não tenha que se adequar as regras da sociedade em que vive.   Quero o ver impor aos seus pais que o tratem por Sr só porque ele assumiu seu fetiche no que ele acha que é tempo integral.
   Para mim bom senso é saber que os meus direitos terminam quando começam os direitos dos outros e vice-versa.

Por Dorei Fobofílica.

Seguidores

AVISO:

As imagens contidas neste blog foram tiradas de sites de busca, estando disponíveis livremente na rede, sem fazer referencia aos autores. Entretamto sem o intuito de usar material de terceiros indevidamente, digo que, caso voce seja autor de alguma delas e deseje que a retire, deixe um comentário e a retirarei ou colocarei os devidos créditos se for da tua vontade.

Atenciosamente;
Dorei Fobofílica.