27 novembro, 2010

Fidelidade ou Lealdade? Somos monogâmicos?




  Se considerarmos que fidelidade e lealdade não têm o mesmo significado, se pensarmos que fidelidade é ter um relacionamento monogâmico e que lealdade é ser sempre franco e honesto com seu par, verificaremos que ser fiel é também ser leal e monogâmico, mas ser leal é ser humano e sincero.    Ser leal não é ser fiel, é ser verdadeiro.

   Monogamia no reino animal é coisa rara, mais ainda entre os mamíferos; e das quase 300 espécies de primatas conhecidas, apenas 6% são monogâmicos, a exemplo do gibão, que está em franca extinção.   Os humanos não são naturalmente monogâmicos, apenas têm períodos onde se mantêm neste estado.   A natureza, afim de garantir a continuidade das espécies, selecionou entre os mais bem sucedidos os polígamos como nós.   Monogamia de verdade, é ser como os cetáceos (baleias e golfinhos), algumas aves psitaciformes (araras, papagaios), Sphenisciformes (pingüins) e outros poucos, que passam a vida inteira com um único par e não se unem a outro quando seu parceiro morre.   Nós não somos forjados para isto, o que não justifica sermos promíscuos.
   Desde a infância somos induzidos a pensar que somos capazes de sermos fiéis o tempo todo através de contos de fadas; a religião, a sociedade e até a política nos cobram este comportamento, mas isto não acontece de verdade, costumamos ser hipócritas, sejamos leais com nossos pares e conosco.   Sejamos LEAIS!   Muitas vezes a mulher consegue ter um comportamento de fidelidade e raras vezes o homem também, mas isto não é natural e comportamento de fidelidade não inclui pensamentos e ausência de frustrações.
   Sou pró lealdade, penso que podemos e devemos ser francos com nossos parceiros, claro, a maioria de nós não está preparada para esta realidade, prefere fazer as coisas ‘por baixo da mesa’, fingir que não percebe, que não acontece.  
   Nós mulheres temos uma certa vantagem, conseguimos nos adequar melhor ao conceito da fidelidade, já a natureza caçadora do homem torna tudo mais difícil para eles em se enquadrarem ao sistema hipócrita, principalmente com a cobrança da mulher para este comportamento.    Vai longe o tempo em que eu acreditava em fidelidade, hoje dou e exijo lealdade.   Lealdade significa ser honesto e confiável, está totalmente em conformidade com o BDSM e o SM, que é um conceito de relacionamento onde não cabe a mentira, o engodo, sejamos honestos consigo mesmo e com nosso parceiro.   
   Isto não quer dizer que não há amor, muito pelo contrário, podemos amar e mais de uma pessoa por vez, somos capazes disto; basta pensar em nossos filhos, nossos pais, parentes e amigos.   Não deixamos de amar a um filho em detrimento de outro, são apenas amores diferentes, porque são pessoas diferentes.   É importante frisar que amor não se mede, ama-se e ponto.
   Poder ser leal é um privilégio de poucos, me considero felizarda neste sentido e espero que algum dia a humanidade alcance este entendimento sobre si mesma de forma generalizada, que não sejam apenas casos pontuais.  
   Quero ressaltar que não há relacionamento BDSM ou SM saudável sem confiança, portanto dentro dele há de haver lealdade, esqueçamos o conceito de ser fiel para poder abraçar a lealdade e conquistar a confiança.

Por Dorei Fobofílica.



18 novembro, 2010

DOMINAÇÃO/submissão (dans l'amour)


   Dominar é uma arte, submeter-se é um encantamento!  Dominador(a), muitos querem ser, mas liderar é um ‘dom’, a pessoa nasce ou não com ele, não é uma arte adquirida, é apenas aprimorada.  Não me refiro a berros, palavras de baixo nível, estupidez, falta de educação e gentileza, muito menos de inteligência, pois um líder (dominador), deve ter todos estes atributos por natureza, não me refiro a conhecimento literário, mas inteligência nata.   O mesmo está para a parte que se submete, submeter-se não é se deixar subjugar pela falta de opção, se deixar ferir na alma por não ter outra saída e com isto guardar dentro de si rancores, isto não é submeter-se consensualmente; e, não há BDSM ou SM sem esta predisposição a dar-se, mas dar-se só é verdadeiro e intenso, quando há sentimentos entre as partes, uma submissa de verdade, está escravisada pelo amor ao Dono; o mesmo está para o Dominador, ele só consegue esta devoção plena de uma mulher, se a faz sentir-se amada.   Sei que muita gente pensa diferente disto, mas penso que o ‘dono’ que não ama jamais cuidará tão bem de sua propriedade, pois o mesmo se dá com objetos, cuidamos com maior apreço quanto mais eles nos são queridos e isto independe do valor econômico que eles tenham. Não creio em submissão verdadeira sem paixão.   Tudo isto para mim é mera encenação teatral, que pode agradar a muitos, mas que não denota uma D/s de fato, intensa, real.   É como fazer sexo com quem não significa nada, é insípido.

   Pode ser que este tipo de pseudo D/s tenha valor para quem não tem nada melhor, que viva de ilusões, pode ter valor para quem só conhece Dominação/submissão virtual.   Eu me pergunto como ficam as emoções e o psicológico destas pessoas, que tudo o que possuem para satisfazer suas fantasias, sejam os encontros virtuais...  Francamente, eu estaria arranhando azulejo, seria como chupar bala com papel, sentir sede em frente ao mar...   Enfim, serve para quem vive uma história real, para deixar a expectativa para um próximo encontro, para fazer sonhar com coisas palpáveis, mas fora disto vai tornando a pessoa amarga, feito estas criaturas que na falta de uma vida própria para cuidarem, ficam atacando aquelas que as têm.   Nas salas virtuais é constante, cheio de criaturas encenando virtualmente uma vida que não têm ou dirigindo palavras de injúria a outros indivíduos.   Entretanto, serve para que estas pessoas terminem por se mostrarem como de fato são, basta ser perspicaz e acompanhar o cenário diário sem muito esforço.

   Um sujeito que se diz dominador e chega nas salas virtuais com Nicks duvidosos, já começa por aí a mostrar que seu caráter também não é muito diferente disto, quando ele se dirige a alguém, que pretende vir a ter como submissa, com palavras obscenas ou pejorativas, a coisa fica evidente, as letras garrafais, que virtualmente significam gritos, são no mínimo uma falta de educação imensa, a grafia diz muita coisa da personalidade das pessoas e os gritos, nada mais são que a tentativa de se auto afirmar, ou seja, demonstração de insegurança, na verdade.   Já a ‘submissa’ que chega se oferecendo, se não for um homem travestido de mulher pelo nickname, é uma pessoa que também inspira perigo a um Dominador sério, ela pode gostar de prostituir-se, ele jamais poderá confiar verdadeiramente nela, uma mulher que se atira, que avança, não é exatamente uma submissa.   Vejo muita formalidade entre os litúrgicos, não sou litúrgica, mas não creio que todo aquele floreio de palavras seja a denotação de domínio ou subserviência reais, não é por uma pessoa chamar a outra de Sr ou Sra que a respeita, teme ou está submetida; muitas vezes não existe este tratamento formal, mas a Dominação/submissão está ali muito mais viva do que quando o tratamento é exigido!   São muitos os fatores a serem observados para quem procura alguém em salas virtuais, mas o importante mesmo, é vir para o real, com sentimentos reais, conquistados com o tempo, não existe dominação ou submissão instantâneos, não se for verdadeiro, não se for com amor, com paixão, com confiança, confiança a gente conquista e a conquista é árdua, embora a perda seja rápida.

   Não quero aqui condenar aqueles que optam por viver outras formas de D/s, aqueles que apregoam que com sentimentos não se pode torturar uma submissa, que com sentimentos não se pode temer a um dominador (embora eu ache tudo isto muito perigoso), mas dentro do BDSM ou SM, não cabe que um julgue o outro, no máximo expor o que se pensa a respeito, falar dos perigos que há por trás de muito fervor, afinal, não podemos esquecer nunca dos sádicos doentios e/ou criminosos, estes são exatamente os teatrais.   Mas julgamento não cabe, basta que a sociedade faça isto, não precisamos disto entre nós.

Esta é a minha opinião.


Por Dorei Fobofílica

13 novembro, 2010

COLEIRA VIRTUAL



   A primeira impressão que se tem, é que a coleira virtual é uma coisa boa, interessante e que caracteriza a fidelidade da submissa, mas na prática não é assim que funciona.
Não sei como era antes, pois só conheci chat SM nas primeiras semanas de 2009, mas desde então sou freqüentadora diária, já usei coleira virtual e tenho muitas amigas que usam.
   Penso que é um imã para problemas em sala virtual, a não ser que a pessoa tenha estrutura para suportar as provocações; e digo, aquilo se repetindo a todo momento pode abalar uma alma submissa, por ser esta, geralmente de natureza sensível.
   A coleira virtual provoca inveja nas mal amadas, inveja nos ‘dominadores’ de nickname apenas, e começa a guerrinha idiota, mas ofensiva.   A mal amada investe privativamente sobre o Dono da encoleirada, se este estiver presente, conseguindo ou não o seu intento, a espírito de porco vai sair e voltar com a coleira do mesmo , provocando intriga entre o casal.   O pseudo dominador vai investir privativamente na encoleirada, se dizendo muito melhor, afirmando conhecer o Dono dela e fazendo falsas revelações de desvio de conduta, se ela não titubear, ele vai investir de maneira suja enabertamente, muitas vezes afirmando já tê-la possuído antes.   Se o casal ou um deles se importar com a opinião alheia, foi para o vinagre, azedou o dia de ambos.
      Penso que o correto é não fazer este tipo de identificação, que aliás, não leva a nada, afinal, a falsa submissa que não respeita seu Dono, pode entrar a qualquer momento sem que ele saiba com Nicks diversos, Nick não depende de RG, cada um usa o que quer e quantos quiser.   Aliás, outra coisa imbecil é acusar alguém em chat de ser multinick, desde quando é preciso ser fiel a alguma identidade virtual, lá não é preciso RG, é livre arbítrio o uso de quantas identidades se queira usar.
   Contudo, se o casal de D/s deseja usar, penso que ao invés de aceitar as provocações, deve-se fazer uso do IGNORE, ele existe para isto, então a pessoa ignora até mesmo a opinião dos demais, porque o que não faltará é gente besta para acreditar e ainda vir nos fazer perguntas.   Outra coisa besta, é colar que se está ignorando alguém, é desnecessário e só vai fazer com que o ignorado saia e volte de novo para continuar, porque para fazer maldade o ser humano tem muita energia.  Então ignore por você e esqueça os outros, esqueça o que pensarão de você, pois se você tem mesmo amizade por lá, eles não darão crédito a essas provocações recorrentes.
   Vale falar aqui, dos falsos dominadores, porque Dominador de verdade, tem que ter firmeza de caráter, não cabe a uma pessoa séria, ir ao chat com diversos Nicks sendo eles para submissas diversas, ele usa vários Nicks para que uma não saiba da outra.   Acho que deveriam acordar deste sonho, pois submissas conversam entre si sobre seus Donos, afinal, é o assunto que elas têm em comum e certamente alguns dados não podem ser alterados, ninguém consegue ser múltiplo o tempo todo.
   Para finalizar, coleira virtual começa como uma atitude doce e termina com um amargo sabor.


Por Dorei Fobofílica

09 novembro, 2010

SAFEWORD (código de segurança)





  A origem da safeword (palavra ou código de segurança), como se conhece hoje, data dos anos 80.   A idéia foi amadurecida e popularizada através de canais de discussão, que na época teve seu primeiro conceito semelhante ao de sinal de trânsito.   Onde submisso utilizava cores como forma de indicar ao Dominador o seu estado físico e emocional.   Durante da cena, o Dominador perguntava a cor e o submisso sinalizava seu estado indicando “verde, amarelo ou vermelho”.

   O verde indicava que estava tudo sob controle, o amarelo era sinal de algum desconforto momentâneo e o vermelho um alerta de que algo não ia bem ou ultrapassava os limites previamente estabelecidos.

   Com o evento da internet esta ideia espalhou-se rapidamente, incorporando-se ao cenário de muitas comunidades e adeptos.

   Esses códigos evoluíram, foram adaptados e atualmente são combinados antes da cena, podendo ser uma palavra ou um gesto específico (casos em que o submisso está de mordaça ou encapuzado, por exemplo), variando em comunidades, confrarias ou parceiros que o adotam.

   A safeword é um recurso inteligente e indispensável, embora existam Dominadores e até submissos que discordem disto, mas são raros e acho que pode ser muito perigoso.   Contudo a safeword não basta, pois se a(o) subjugada(o) não conhece bem o(a) dominador(a), como saberá que quando estiver a sós ele não vai negligenciar  este acordo?

   Por si a safeword não tem poderes, somente praticantes sérios a compreendem e respeitam.   O pseudo-dominador, pode ameaçar a submissa de encerrar completamente a cena ou romper relações com ela, isto na melhor das hipóteses.  

   A safeword deve interromper o ato e não a cena, o contrário pode comprometer a integridade psicológica da submissa, fazendo até mesmo, que ela venha a se sentir culpada ou inferior e não repita a safeword da próxima vez que for necessário.

   Submissos geralmente têm a natureza emocional vulnerável, no intuito de agradar ao Dominador, eles podem comprometer seu estado físico e psicológico.    Servir é a característica mais bela do submisso, entretanto pessoas de má fé podem se aproveitar disto para propósitos negativos.  Não podemos nos esquecer dos dominadores doentios e/ou criminosos.

   Não quero aqui eximir todos os submissos, existem aqueles novatos que não têm noção do momento certo de usar a safeword, ou mesmo os submissos manipuladores, por isto é preciso investir tempo numa relação séria, antes de partir para práticas, para conhecer melhor e adquirir confiança.

   Devo dizer que existe o submisso que pensa que tem super poderes, não usa a safeword quando é preciso, fazendo com que o Dominador acredite que está tudo certo e vá em frente, isto é muito grave e é por isto que insisto em dizer que iniciar a relação de forma tradicional, sem as sessões, para adquirir conhecimento da personalidade do parceiro(a); é de fundamental importância.

   Safeword é algo sério e deve ser usado; e usado com responsabilidade.

Por Dorei Fobofílica.

02 novembro, 2010

BDSM light ou sexo apimentado?




   Em primeiro lugar, eu gostaria de saber por que o meio BDSM é cheio de regras pré estabelecidas.
   Claro que existe uma larga diferença entre sadomasoquismo consensual e violência doméstica e estupro, que muitas vezes acontece dentro do lar de pessoas casadas, sim, maridos que estupram suas esposas, porque não é por serem casados que ela pode ser forçada a fazer sexo quando não está disposta.  

   O que é o sexo apimentado, quando os pares concedem que haja os tapinhas e o que mais desejarem?    Claro que há um consentimento ali, muitas vezes não expressado, não previamente combinado, pelo simples fato de que eles não conhecem o BDSM e por isto não seguem aquelas regrinhas que foram inventadas sei lá por quem.   Mas então vejamos; entre os praticantes de BDSM que se dizem com dezenas de anos de prática também não acontece o abuso?   Só porque se segue os parâmetros estabelecidos, não quer dizer que às vezes não sejam ultrapassados os limites alem da medida (que às vezes são ultrapassados propositalmente com a desculpa de que a intenção foi alargá-los).

   Afirmo que é muito complexo definir o que é BDSM light e o que é sexo apimentado, mas não é difícil ver que SADOMASOQUISMO e sexo apimentado não tem diferença nenhuma, o que falta mesmo é conhecimento, porque as pessoas têm preguiça de ler e se informar em plena era da globalização, com a internet a disposição e só usada para futilidades.

   Na prática não vejo diferença entre aqueles ditos praticantes de sexo apimentado e os prepotentes que se autodenominam praticantes de BDSM light erótico; falta apenas o conhecimento.   Como exemplo fora do contexto apenas para ilustrar, digo que o sexo apimentado está para o BDSM, assim como o menino que vive perto do rio e aprende a nadar contra a correnteza está para o menino da cidade que aprende a nadar na piscina do clube do bairro, na verdade os dois nadam, apenas que o menino de beira de rio não conhece as regras, mas certamente pode sobreviver na água talvez até melhor que o menino da cidade. 

   Na verdade, quando o bom senso e o desejo de se informar predominam, tudo vai bem, tudo é sadomasoquismo light erótico.   Já BDSM pode mesmo ser outra coisa, pois é algo mais cheio de regras e regulamentos.   Mas sadomasoquismo está na essência do ser humano, às vezes somos sádicos e às vezes masoquistas, depende da área da vida, mas como aqui falo de sexualidade, afirmo que se tirarmos as regras feitas por alguns e seguida por outros tantos, na prática não há diferença essencial entre sadomasoquismo erótico light e sexo apimentado.

   O fato é que em caso nenhum pode haver violência e agressões físicas ou psicológicas não consensuais, pois a LEI MARIA DA PENHA está aí para isto mesmo, seja baunilha ou não, ela vale para todos.



Esta é a minha opinião.


Por Dorei Fobofílica. 

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